Quinta-feira, 24 de Março de 2011

verde noite azul na despedida

Lisboa, rio Tejo

fim do dia. fim da estrada. aqui, calam-se as palavras, perdido o sentido da primavera no silêncio de um inverno perene que nunca serei eu.

Quarta-feira, 23 de Março de 2011

a minha ameixeira

dás-me flores, primavera, e luz. e eu esqueço as sombras e até o frio dos homens que vivem no inverno o ano inteiro.

Terça-feira, 22 de Março de 2011

a minha cerejeira


serão talvez brilhantes cerejas vermelhas que o vento e os melros cobiçarão. mas agora são delicadas, efémeras flores brancas que as nuvens ameaçam mas não amedrontam.

Segunda-feira, 21 de Março de 2011

Lagos

não são os tiranos que temo, nem mesmo os seus esbirros. são as pessoas pequenas, as que se calam e viram a cara quando a prepotência se exercita; as que acreditam que há bons e maus déspotas e  lhes prestam a vassalagem própria dos chacais e das hienas.
não, não são os tiranos que me assustam, o que me assusta é a devoção dos escravos que os seguem, solitários ou em matilha.

Sexta-feira, 18 de Março de 2011

 a minha janela




tinha esta lua guardada na mão. só para mim.

adeus inverno 

olá primavera
a minha ameixeira


ser flor, outra vez, ainda que por pouco tempo. e fruto, mais tarde, nas tuas mãos.

Quarta-feira, 16 de Março de 2011

Zambujeira do Mar


todo o vento é aqui  silêncio e razão de qualquer coisa mais antiga do que as mãos dos homens.

Terça-feira, 15 de Março de 2011

Lisboa, Alcântara

uma janela que não se abre é como uma porta que não se fecha: um espelho que prolonga indefinidamente a mentira e o tempo.